segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Livro, cinema e música



A Letras & Prosa Livraria fica em Vitória da Conquista, na Bahia. No início deste ano, ampliou o espaço em parceria com o Viela Sebo-Café. Além de bons livros e boa música, oferece, agora, exibições de filmes, exposições e outras atividades culturais. A programação começa na quinta-feira à noite, com sessão de cinema às 19h; às sextas-feiras, música ao vivo a partir das 20h; aos sábados à tarde, saraus literários, sessões de autógrafos, café filosófico... e, à noite, música ao vivo. É mesmo lugar de letras, e prosa à vontade. A foto foi enviada pelo livreiro Euvaldo C. Gomes, que também indica o http://www.letraseprosa.blogspot.com

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Libre quer a difusão da leitura na pauta da Conferência de Comunicação

Editores independentes presentes ao debate com concessionárias e grupos de mídia querem garantir marcos legais e políticas de fomento à produção editorial

Editores da Libre se preparam para a Conferência Nacional de Comunicação, prevista para 14 a 17 de dezembro, e estarão presentes tanto na etapa municipal, ainda sem data marcada, quanto na Conferência Estadual de Comunicação, de 20 a 22 de novembro. “É a primeira vez que a comunicação social no Brasil será debatida com os diferentes integrantes desse segmento – publicitários, operadoras de telecomunicações, concessionárias de rádio e televisão, jornalistas e outros setores da sociedade civil”, destaca Renato Rovai, editor da revista Fórum, da Publisher Brasil, integrante do Fórum Mídia Livre e um dos representantes empresariais da comissão de organização da etapa estadual da Confecom. Para a Libre e seus associados, diz ele, a Conferência é “mais um momento para que os editores de pequenas e médias empresas discutam com as concessionárias e grupos de mídia políticas de difusão e promoção da leitura”.

Como as comunicações envolvem serviços públicos, um dos aspectos ou contrapartidas do direito dado pelo governo às empresas que os exploram é a difusão cultural e educativa. “Estamos em boa hora para debater se isso vem sendo feito como deveria, do ponto de vista do setor editorial. Acredito que, nas televisões e nas rádios, não há atualmente esse espaço para promoção da cultura, especialmente da cultura editorial”, avalia.

Por isso, Rovai espera que mais editores e associados da Libre se integrem às conferências em suas etapas preparatórias. “O debate será feito por quem pautá-lo, e queremos formar massa crítica. Os editores poderão propor alternativas de incentivos para divulgação do produto livro – benefícios fiscais, espaço para veiculação publicitária em TVs públicas, nas rádios, e até nas operadoras de telecomunicações, considerando a distribuição do livro do ponto de vista da convergência tecnológica.”

Reinaldo Reis, coordenador comercial da Editora Fundação Perseu Abramo, também participa dos trabalhos para a Conferência. Segundo ele, “é uma oportunidade fundamental para a Libre pautar as políticas públicas destinadas a fortalecer os pequenos editores”. E concorda que a regulamentação dos meios de comunicação na direção da democratização, um dos principais itens da agenda da Conferência, tem impactos diretos na possibilidade de engajar a mídia em ações de fomento à leitura. O passo, agora, afirma, é se integrar às agendas das etapas municipais e estaduais. Para tanto, o editor da Publisher Brasil (rovai@uol.com.br) se coloca à disposição para apoiar os interessados em se aproximar das comissões organizadoras em São Paulo e em outros estados. “Podem me procurar”, avisa.

Embora a etapa estadual da Conferência, em São Paulo, já esteja marcada, seu financiamento ainda está em negociação. A Assembleia Legislativa (que a convocou, e não o governo do Estado) apresentou ontem (20) uma proposta de orçamento de R$ 200 mil, a fim de cobrir custos de hospedagem e transporte dos conferencistas que vêm do interior. Rovai calcula que, dos 1.240 participantes previstos, metade seja de fora da capital.

Cidadania digital
A Conferência Nacional de Comunicação tem como tema “Comunicação: meios para construção de direitos e de cidadania na era digital”. Foi convocada em abril deste ano pelo governo federal, após embates entre entidades da sociedade civil, que a reivindicavam há vários anos, e algumas associações de empresários que não queriam ver aberto o precedente do debate público sobre os marcos regulatórios da comunicação social, de estrutura altamente concentrada.

Entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Abranet (Associação Brasileira de Internet) e a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) abandonaram a comissão organizadora, numa tentativa de esvaziar o poder deliberativo da Conferência. Mas isso ainda não significa que elas não vão estar presentes na própria Confecom. E outras instâncias empresariais e grupos econômicos, como a Bandeirantes e as operadoras de telecomunicações, continuam nos trabalhos de mobilização.

Os temas polêmicas do encontro incluem contratos de concessão, limites à propriedade cruzada nos meios de comunicação, legalização da radiodifusão comunitária, controle social, distribuição de verbas publicitárias, controle social e conteúdo. As organizações empresariais podem participar com 40% dos delegados da conferência, a sociedade civil não-empresarial com outros 40%, e o poder público, com 20%. Resoluções polêmicas só poderão ser aprovadas com 60% do total de votos.

A 1ª Conferência Paulista de Comunicação está sendo coordenada pela Comissão de Transportes e Comunicação da Alesp e pela Comissão Paulista Pró-Conferência, que pilota as conferências livres, mobilizadas por organizações não-governamentais do movimento social.

PERFIL-Samuel Seibel, dono da Livraria da Vila



Momento de Decisão


Certa noite, passeando em Ipanema, no Rio, o paulistano Samuel Seibel, filho de um imigrante polonês, resolveu tomar um café em um lugar que era, também, uma livraria. Ao passar pela porta, soube, na hora, que o seu destino, encoberto até aquele momento, era ser livreiro. Aos 48 anos, deixou a empresa da família e assumiu a Livraria da Vila, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, a primeira de uma rede de quatro lojas. O empresário virou referência no mercado e não tem medo da internet, que, na sua opinião, vai complementar e até aumentar o mercado de livros, em certos segmentos.

“Se, futuramente, as novas tecnologias forem tão fortes que as pessoas deixem de ir à livraria, ao cinema, para ficar em casa e não enfrentar o trânsito, então não é a falência do negócio do livro, é a falência da sociedade”, diz. “Mas como sou otimista em relação ao mundo, não acredito que vá acontecer esse desastre.” Ele espera que a internet e os livros eletrônicos atinjam em maior medida um público que não é o do frequentador da livraria, “não é aquele que não abre mão de abrir o livro, adormecer com ele na barriga, olhar a primeira página”. Na opinião do livreiro,“se houver uma perda, num primeiro momento, ela será menor do que o ganho”.

Para Seibel, as livrarias físicas são uma exigência social, parte da necessidade das pessoas de se encontrarem e se sentirem parte do mundo, como os cinemas. E as lojas da Livraria da Vila, explica ele, estão a serviço dessa ideia de experiência coletiva, com sofá, espaço para para crianças, café, auditório.

O dono da Livraria da Vila defende o fortalecimento do mercado por meio do respeito às especificidades da cadeia do livro. “É preciso que as editoras canalizem para as livrarias os pedidos que recebem. Está errado vender direto, mais ainda com desconto. Se a livraria é o principal canal de vendas de livro, deveria haver coerência nesse sentido. O site pode direcionar a compra para lojas parceiras, em que a editora confia e que vão ter o livro”, explica.

Ele também é favorável ao mecanismo de um preço único para todo o país, proposto pela Associação Nacional de Livrarias a parlamentares e que prevê um limite para os descontos sobre o valor de capa dos livros. “Moralizaria uma certa conduta do mercado em termos de preço”, argumenta.

Cena de filme
Samuel se formou em Jornalismo, profissão que exerceu por dez anos, até ser convidado pelo irmão para trabalhar na fábrica da família (de produtos para o setor moveleiro), onde ficou por 20 anos. A trajetória foi interrompida de repente, após uma visita ao Rio de Janeiro, onde foi para correr uma meia maratona. No sábado à noite, após jantar com a mulher, Débora, saiu à procura de um lugar para tomarem um café. E achou a livraria Renovar, recém inaugurada, que também era uma filial da Confeitaria Colombo. Entraram.

“Se fosse um filme, a cena seria descrita assim: conforme eu fosse entrando, viria uma luz branca sobre mim. Parei, fiquei olhando – e era como se uma harpa tocasse... Falei para a Débora: é isso que eu quero fazer da vida”, lembra Samuel. No final de 2002, Samuel selou o acordo de compra da Livraria da Vila. No dia três de janeiro de 2003 realizou seu projeto.“Impressionante como, diante de uma decisão com essa força, as coisas acontecem e conspiram favoravelmente.”

Tanto na virada profissional, quanto na opção pelos livros, o empresário identifica influências do pai, Bernardo, judeu que veio da Cracóvia para o Brasil em 1925, aos 14 anos. Morou no Rio, em Salvador, Ilhéus, até abrir seu negócio na rua do Gasômetro, no bairro paulistano do Brás. Foi amigo de Jorge Amado, com quem conviveu na Bahia. “A lembrança do meu pai é de uma pessoa que tinha no livro um prazer muito grande”, diz. Além disso, Samuel observa que o pai também teve a chance de fazer alguma coisa sua com quase 50 anos, numa época em que, nessa idade, as pessoas já estavam se preparando para parar.

“A livraria da Vila, para mim, é principalmente um ponto de encontro, um pólo cultural. E o acervo tem de ser pensado, para não ter só lançamentos. Fazemos questão de trabalhar com as editoras independentes. O catálogo de um grupo como a Libre, nesse sentido, é absolutamente natural.” Atualmente, a rede cresceu e ganhou áreas par vendas de CD e DVD, sempre na mesma proposta, além do café e do auditório. A programação, contudo, é, segundo ele, “99,9% vinculada à literatura, ao cinema e à música; e, desses 99,9%, 97% à literatura.” Foi preciso um ano de insistência, somado aos trabalhos de divulgação, para consolidar o público dos eventos. A participação da Livraria da Vila como livraria oficial da Flip-Festa Literária de Paraty, desde 2004, foi outro importante reforço para a marca.

Raio-X
Livraria da Vila da Fradique -- 900 m², 150 mil livros (90 mil títulos) e 15 mil CD’s e DVD’s
Livraria da Vila no Itaim Bibi/Casa do Saber -- 200 m², 40 mil livros (25 mil titulos) e 3 mil CD’s e DVD’s
Livraria da Vila da Lorena – mil m², 200 mil livros (120 mil títulos) e 30 mil CD’s e DVD’s
Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim – 2,5 mil m² e 150 mil títulos

V Fórum de Editoração da USP: teoria x prática

Os alunos do curso de Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP realizam o V Fórum de Editoração no próximo dia 31 de outubro, no auditório do Masp (Museu de Arte de São Paulo), com o tema Cotidiano e Teoria. É um espaço de reflexão sobre o mercado editorial, que reúne público acadêmico, pesquisadores e diversos profissionais da cadeia do livro e de áreas afins. Tem apoio do Masp, da Edusp (Editora da Universidade de São Paulo) e da Libre-Liga Brasileira de Editoras. Não é necessário fazer inscrição e a entrada é gratuita. Serão distribuídas senhas, com meia hora de antecedência do início de cada mesa.

Durante um dia, quatro mesas de debates vão analisar até que ponto as teorias sobre editoração conseguem ser postas em prática. Entre os convidados estão Maria José Rosolino, coordenadora do curso de Produção Editorial da Universidade Anhembi Morumbi; Plínio Martins Filho, coordenador do curso de Editoração da ECA-USP; Paulo Werneck, editor da Cosac Naify; Cristina Yamazaki, mestre em Ciências da Comunicação; João Scortecci, diretor-presidente do Grupo Editorial Scortecci, entre outros. A comissão organizadora solicita a quem puder a doação de livros usados para o projeto Redigir (aulas de gramática e redação para a população de baixa renda).

Programação
8h - Café da manhã
8h30 - mesa 1 - Editor: sabe o que faz ou faz o que sabe?
As diferenças existentes entre o aprendizado acadêmico e a prática. Existem incoerências, quais são, por que elas ocorrem e o que pode ser feito para solucionar os problemas apresentados.
10h30 – Coffee-break
11h - mesa 2 - Revendo o preconceito contra o marketing
Debate sobre marketing editorial, alvo de muita discussão e crítica: prioriza questões como a eficiência do marketing do livro no Brasil, seu real papel no incentivo à leitura, e o descompasso muitas vezes existente entre quem "elabora o produto" e quem faz sua divulgação.
12h30 - Intervalo para o almoço
13h30 - mesa 3 - Políticas públicas para o livro e a liberdade editorial Com o intuito de formar uma visão do mercado, a mesa trata de políticas públicas relacionadas ao livro no país. Já que o governo é o maior cliente no mercado editorial brasileiro, a intenção é discutir a relação entre essas duas partes e compreender seus aspectos mais importantes, especialmente aqueles relacionados à liberdade editorial. 15h00 – Coffee-break
15h30 - mesa 4 - Tendências da editoração no Brasil
As grandes tendências presentes no meio editorial, chamando a atenção para o que se tem feito, em termos de qualidade, criatividade, funcionalidade; e como o produto editorial está inserido no contexto dos desejos e necessidades do momento que vivemos.
17h - Encerramento.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um bolero na Fradique




Livraria da Vila, na rua Fradique Coutinho, Vila Madalena, São Paulo.
Fotos enviadas por M. Conceição Azevedo (Ed.Peirópolis - Grão Editora).
Quem quiser ouvir "Na barra do seu vestido", música de Zeca Baleiro e Zé Geraldo que fala do sujeito que vai "pela Fradique cantando um bolero, feito um Valdick gentil e sincero", pode conferir aqui (clique em discografia/Catador de Bromélias): http://zegeraldo.uol.com.br/

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Livros e Companhia em Medianeira


A "Livros e Companhia" fica em Medianeira, cidade no oeste do Paraná com 38 mil habitantes e "muita personalidade", segundo Adriane Valéria Silva, que pilota a livraria junto com José Nilson Oliveira. Ela nos mandou as primeiras fotos da exposição virtual do blog da Libre sobre livrarias brasileiras. A "Companhia" do título tem o sentido "do livro ser companhia das pessoas, e também de as pessoas encontrarem companhias neste espaço cultural". Junto com os livros, funciona um café, batizado de Prosa e Poesia, que tem no cardápio nomes de grandes autores da literatura mundial. O lema da "Livros e Companhia" parafrasea Borges: "Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria" (o poeta argentino se referiu a uma biblioteca)". Para escrever para Livros e Companhia: contato@livrosecompanhia.com.br.

































sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Libre quer vaga permanente no Fundo Setorial Pró-Leitura

A entidade reinvidica ao MinC presença fixa no comitê gestor dos recursos, estimados em R$ 100 milhões no primeiro ano

A Libre-Liga Brasileira das Editoras, que reúne 105 editoras independentes, solicitou audiência ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira, para reivindicar participação permanente no Comitê Gestor dos recursos do Fundo Pró-Leitura, estimados em cerca de R$ 100 milhões no primeiro ano. Pelo acordo firmado entre o MinC e entidades do setor livreiro para criação do Fundo, a Libre deveria ocupar uma vaga rotativa no comitê, a mesma destinada ao revezamento das regionais estaduais da Câmara Brasileira do Livro.

Segundo o diretor do Livro, Leitura e Literatura do MinC, Fabiano dos Santos, o documento foi assinado durante a Bienal do Livro, em setembro, no Rio de Janeiro, sem a presença da Libre. Mas a intenção era que, assim que a entidade aceitasse subscrevê-lo, fosse uma das indicadas ao posto rotativo do comitê. As definições sobre o período e a ordem de ocupação das entidades nessa vaga ainda estão em debate, sob a coordenação da Câmara Riograndense do Livro. Também precisam ser estabelecidos, por regimento, os cronogramas de reuniões para avaliação dos projetos candidatos ao apoio do Fundo, por exemplo, a cada dois meses.

Para a presidente da Libre, Cristina Warth (Pallas), as editoras pequenas e médias representadas na Libre não podem ficar fora desse debate ou atuando nele de forma eventual. "Não é por que muitas estão isentas do recolhimento, devido ao porte de seu faturamento, que vão ficar em segundo plano no processo decisório. Ao contrário, as editoras independentes têm um comprometimento de origem com os princípios do Plano Nacional do Livro e Leitura, indissociáveis da nossa principal bandeira, que é a bibliodiversidade". O acordo acertado na Bienal estabeleceu cinco vagas fixas no comitê para o setor produtivo: Câmara Brasileira do Livro, Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Abrelivros (didáticos), Associação Nacional de Livrarias, Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABD), além do rotativo e de dois membros da cadeia criativa e dois mediadores de leitura.

O governo aceitou a proposta de distribuir ao longo da cadeia produtiva a contribuição de 1% sobre a receita das empresas, para formação do Fundo. Assim, cada elo da indústria – editor, distribuidor e livreiro – vai recolher 0,33%, gerando uma arrecadação total de cerca de R$ 50 milhões por ano. Aportes da União e do Fundo Nacional de Cultura devem elevar ao dobro a capacidade total de investimento do Pró-Leitura. “Ele visa apoiar programas do setor público e da sociedade civil que tenham por base os eixos do PNLL: democratização do acesso, fomento à leitura e à formação de mediadores, valorização da leitura e comunicação e desenvolvimento da economia do livro”, diz Fabiano dos Santos. Entre as iniciativas em estudo, ele cita a criação de linhas de crédito para pequenas editoras e livrarias, por meio do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia ou, ainda, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

O objetivo do governo é encaminhar ao Congresso o projeto de lei de criação do fundo ainda em outubro, já com a composição completa do comitê. Nas próximas semanas, o Ministério da Fazenda espera concluir a sistemática de recolhimento da contribuição, que se aplica apenas às empresas desoneradas com PIS, Cofins e Pasep – e não àquelas enquadradas no regime fiscal do Simples.