terça-feira, 13 de outubro de 2009

Livros e Companhia em Medianeira


A "Livros e Companhia" fica em Medianeira, cidade no oeste do Paraná com 38 mil habitantes e "muita personalidade", segundo Adriane Valéria Silva, que pilota a livraria junto com José Nilson Oliveira. Ela nos mandou as primeiras fotos da exposição virtual do blog da Libre sobre livrarias brasileiras. A "Companhia" do título tem o sentido "do livro ser companhia das pessoas, e também de as pessoas encontrarem companhias neste espaço cultural". Junto com os livros, funciona um café, batizado de Prosa e Poesia, que tem no cardápio nomes de grandes autores da literatura mundial. O lema da "Livros e Companhia" parafrasea Borges: "Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria" (o poeta argentino se referiu a uma biblioteca)". Para escrever para Livros e Companhia: contato@livrosecompanhia.com.br.

































sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Libre quer vaga permanente no Fundo Setorial Pró-Leitura

A entidade reinvidica ao MinC presença fixa no comitê gestor dos recursos, estimados em R$ 100 milhões no primeiro ano

A Libre-Liga Brasileira das Editoras, que reúne 105 editoras independentes, solicitou audiência ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira, para reivindicar participação permanente no Comitê Gestor dos recursos do Fundo Pró-Leitura, estimados em cerca de R$ 100 milhões no primeiro ano. Pelo acordo firmado entre o MinC e entidades do setor livreiro para criação do Fundo, a Libre deveria ocupar uma vaga rotativa no comitê, a mesma destinada ao revezamento das regionais estaduais da Câmara Brasileira do Livro.

Segundo o diretor do Livro, Leitura e Literatura do MinC, Fabiano dos Santos, o documento foi assinado durante a Bienal do Livro, em setembro, no Rio de Janeiro, sem a presença da Libre. Mas a intenção era que, assim que a entidade aceitasse subscrevê-lo, fosse uma das indicadas ao posto rotativo do comitê. As definições sobre o período e a ordem de ocupação das entidades nessa vaga ainda estão em debate, sob a coordenação da Câmara Riograndense do Livro. Também precisam ser estabelecidos, por regimento, os cronogramas de reuniões para avaliação dos projetos candidatos ao apoio do Fundo, por exemplo, a cada dois meses.

Para a presidente da Libre, Cristina Warth (Pallas), as editoras pequenas e médias representadas na Libre não podem ficar fora desse debate ou atuando nele de forma eventual. "Não é por que muitas estão isentas do recolhimento, devido ao porte de seu faturamento, que vão ficar em segundo plano no processo decisório. Ao contrário, as editoras independentes têm um comprometimento de origem com os princípios do Plano Nacional do Livro e Leitura, indissociáveis da nossa principal bandeira, que é a bibliodiversidade". O acordo acertado na Bienal estabeleceu cinco vagas fixas no comitê para o setor produtivo: Câmara Brasileira do Livro, Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Abrelivros (didáticos), Associação Nacional de Livrarias, Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABD), além do rotativo e de dois membros da cadeia criativa e dois mediadores de leitura.

O governo aceitou a proposta de distribuir ao longo da cadeia produtiva a contribuição de 1% sobre a receita das empresas, para formação do Fundo. Assim, cada elo da indústria – editor, distribuidor e livreiro – vai recolher 0,33%, gerando uma arrecadação total de cerca de R$ 50 milhões por ano. Aportes da União e do Fundo Nacional de Cultura devem elevar ao dobro a capacidade total de investimento do Pró-Leitura. “Ele visa apoiar programas do setor público e da sociedade civil que tenham por base os eixos do PNLL: democratização do acesso, fomento à leitura e à formação de mediadores, valorização da leitura e comunicação e desenvolvimento da economia do livro”, diz Fabiano dos Santos. Entre as iniciativas em estudo, ele cita a criação de linhas de crédito para pequenas editoras e livrarias, por meio do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia ou, ainda, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

O objetivo do governo é encaminhar ao Congresso o projeto de lei de criação do fundo ainda em outubro, já com a composição completa do comitê. Nas próximas semanas, o Ministério da Fazenda espera concluir a sistemática de recolhimento da contribuição, que se aplica apenas às empresas desoneradas com PIS, Cofins e Pasep – e não àquelas enquadradas no regime fiscal do Simples.

Diversidade beneficia projetos editoriais

O Plano Nacional de Cultura, aprovado dia 23 de setembro na Comissão de Educação e Cultura, criou novos fundos setoriais de cultura: das Artes, da Diversidade e Cultura Popular e da equalização, que vão se somar ao fundo do Audiovisual e Pró-Leitura, previstos em marcos legais autônomos. De acordo com Fabiano dos Santos, diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, propostas de obras literárias ou projetos editoriais transversais, com muita ênfase na diversidade, poderão ser atendidos tanto pelo Fundo Pró-Leitura, quanto pelo Fundo da diversidade do PNC.

No substitutivo, foram especificadas as atribuições do poder público na área cultural e ampliadas as possibilidades de parceria com entidades privadas, além de incluídas áreas como cultura digital e turismo cultural, que não estavam previstos no texto original, e ações de desenvolvimento sustentável, segundo nota da Agência Câmara.

O plano terá a duração de dez anos e sua implementação será feita pelo MinC, que desenvolverá o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais. A primeira revisão para correção de deficiências e distorções está prevista para quatro anos após a promulgação da lei. A criação do PNC está prevista na Emenda Constitucional 48, em vigor desde agosto de 2005. O plano deve integrar as ações do poder público destinadas a valorizar o patrimônio cultural brasileiro, a ampliar a produção e difusão de bens culturais e a formar gestores para a área de cultura O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Emendas parlamentares vinculadas

O deputado Marcelo Almeida, que também preside a Frente Parlamentar Mista de Leitura, quer que cada deputado federal reserve 2% das suas emendas parlamentares para projetos e ações do Ministério da Cultura. "Se cada deputado destinar R$ 200 mil por ano para seus municípios em ações de cultura, a Câmara aumentará em R$ 102 milhões os investimentos em Cultura no país. Isso representa 10% do orçamento atual do MinC ou o valor que é investido em todo o Brasil na área do livro, leitura e literatura", comparou.

A sugestão foi feita em encontro promovido pela Comissão de Educação e Cultura, pela Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e pela Frente Parlamentar da Leitura, com a secretária de Articulação Institucional do MinC, Silvana Meireles. Ela apresentou as ações e os projetos do programa Mais Cultura que poderão receber indicações de emendas parlamentares no Orçamento da União de 2010. Entre as opções, destacou Pontos de Leitura (valor unitário de R$ 20 mil), Cines Mais Cultura (valor unitário de R$ 15 mil), modernização de bibliotecas públicas (R$ 100 mil para ampliação/reforma, acervo, equipamentos e mobiliário), construção de novas bibliotecas (valor unitário de R$ 350 mil) e Espaços Mais Cultura (valores modulares de R$ 300 mil a R$ 2,97 milhões). A vice-presidente da Libre, Eliana Sá, acredita que a intenção de vincular parte das emendas parlamentares à cultura pode ser bem-vinda. Especialmente se, com esse medida, pudermos criar “municípios leitores”, em que os parlamentares se comprometam a apoiar a formação de leitores e programas de leitura.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Paraná terá 200 agentes de leitura

O governo do Paraná vai investir, em 2010, R$ 500 mil no Projeto Agentes de Leitura no estado, que também vai contar com R$ 1 milhão do Ministério da Cultura. Os recursos serão gastos para seleção, contratação, equipamento e manutenção de 200 agentes de leitura em 20 municípios distantes da capital ou carentes de bibliotecas públicas. O anúncio foi feito pelo deputado Marcelo Almeida (PMDB/PR), na abertura do Fórum Nacional Mais Livro e Mais Leitura nos Estados e Municípios, hoje (7), em Brasília.

Os agentes de leitura têm de 18 a 20 anos, ensino médio, e carga horária de cinco horas de trabalho diária, mediante bolsa mensal de R$ 350,00. Ganham uma bicicleta e 200 livros para ler em voz alta, emprestar e circular nas comunidades. Fazem atendimento domiciliar e promovem rodas e cirandas de leitura. Este ano, o MinC já firmou convênio para implantar o projeto Agentes de Leitura na Bahia, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Pará.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Libre decide voltar à Bienal


A Libre-Liga Brasileira de Editoras decidiu participar da 21ª Bienal Internacional do Livro, com estande coletivo que, até o momento, já conta com cerca de 90 expositores confirmados. A última vez em que a entidade dos editores independentes esteve no evento, de forma compartilhada, foi em 2003. Mas consulta aos seus 109 associados, feita este mês, deu maioria de votos a favor da volta institucional da Libre ao circuito das Bienais, promovidas pela Câmara Brasileira do Livro. "É uma oportunidade de estar junto de parceiros, editores e distribuidores de várias partes do país, e muito importante para a visibilidade da produção editorial independente", justifica Cristina Warth (Pallas), presidente da Libre.

A 21ª Bienal Internacional do Livro está programada para 12 a 22 de agosto de 2010, no Anhembi, em São Paulo. Inicialmente, a Libre reservou área total de 400 metros quadrados, devendo figurar entre as âncoras da feira. O próximo passo, segundo Cristina, é a formação de um grupo de trabalho que vai negociar e estruturar a participação coletiva. A entidade integrou as Bienais de 2003 e 2005, no Rio de Janeiro. Na primeira, no modelo compartilhado, e, na segunda, com estandes individuais. Em 2004, vários editores (em espaços separados, mas próximos) foram à Bienal em São Paulo. Mas em 2006, não foi possível repetir a experiência devido à dificuldade de acertar uma boa localização para os expositores.

No discurso de lançamento do evento, ontem (30 de setembro) na capital paulista, a presidente da CBL, Rosely Boschini, definiu seus três eixos principais: "o desenvolvimento do negócio do livro em todos os segmentos da cadeia produtiva; mobilização política capaz de garantir voz e peso institucional ao setor; e amplo apoio aos associados". A próxima edição da Bienal terá novo parceiro de produção - a Reed Exhibitions Alcântara Machado - e formato final definido com apoio da comissão "Repensando a Bienal", formada por profissionais do setor.

De uma monge copista

No blog da editora Ibis Libris, Thereza Christina Motta assina linda homenagem a todos que escrevem, reescrevem, corrigem, leem e traduzem, no Dia Mundial do Tradutor:

"Escreva, escreva...
...e me volte daqui a vinte anos, disse Mário Quintana a um poeta novato. Monteiro Lobato também advertia: "Não se precipite para publicar seus versos. Guarda-os até ter certeza de estarem maduros", aconselhou a outro jovem que lhe mostrou seus poemas. Essa paciência nem todos os autores têm. De esperar que seu fruto esteja no ponto, mas os escritores tarimbados sabem que é preciso esperar para que o livro se "apronte". Antonio Torres dá outro conselho: "Não fale sobre o que está escrevendo, senão você se desincumbe falando e não escreve nada".
Todos eles sabem o que estão dizendo, e também seus editores. Publicar um livro imaturo é pecar contra si mesmo. Um livro não tem culpa da pressa de seu dono. Ele antes caminha no seu próprio tempo. Tem um andar todo seu, de coisa que sabe a que veio. E se o apressarmos, ele se vira contra nós. Quanto tempo espera um livro para ficar pronto! Por vezes, décadas, como temos visto. Mas escrevê-lo é parte do esquema. A outra ponta é revisá-lo. Há erros que ficam ocultos e não os percebemos. Só muito tempo depois é que "saltam" aos olhos. A sorte é pegá-los antes que virem "gralhas" ou "sacis-pererês", como gostava de chamá-los Lobato.
Um erro num livro estraga-o todo. Só pensamos nele, em mais nada. Nem percebemos que é apenas um em meio a não sei quantas palavras certas. Depois de publicados, não podemos mais consertá-los. E conviver com eles é um suplício. Só nos resta aceitá-los e seguir em frente, e fazer tudo para que, da próxima vez, tenhamos a calma e a visão de águia para não deixar passar coisa alguma. Revisores, cuidado. Nem sempre sabemos o que estamos fazendo - é preciso uma sabedoria de monge para ponderar uma revisão e ver em profundidade, não apenas a superfície do texto.
Eu tenho certeza absoluta que já fui monge copista, daqueles que ficavam na biblioteca copiando livros, traduzindo outros, ou até sonhando os seus versos. Ainda posso sentir o frio das paredes úmidas protegendo-nos do inverno do lado de fora. Livros preenchem uma vida. Escrevê-los, revisá-los, editá-los, imprimi-los. Fazer isso toma todo o nosso tempo: e o que sobra, passamos lendo outros livros, ou pensando em novos ainda não escritos, ou aqueles que gostaríamos de traduzir."
Aqui: http://ibislibrisbooklog.blogspot.com/2009/09/escreva-escreva.html